O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou na madrugada desta quinta-feira (30) restrições e punições para estrangeiros que atacarem o país. O posicionamento do líder argentino acontece em meio a crise diplomática com o Brasil.
Em publicação no X, o Gabinete da Presidência argentina afirma Milei que assinou um Decreto de Necessidade e Urgência que “estabelece como motivo para proibição de entrada e expulsão do território nacional qualquer estrangeiro que promova ou incite mensagens de ódio, discriminação e/ou violência contra o povo argentino ou seus cidadãos em razão de sua nacionalidade, bem como atos de ultraje aos símbolos nacionais.”
— Oficina del Presidente (@OPRArgentina) July 30, 2026
“Diante das recentes manifestações de hostilidade contra a República Argentina e os argentinos, o Governo Nacional reafirma que a defesa da Nação, de seus cidadãos e de seus símbolos não é negociável. Quem atacar a República Argentina não é bem-vindo em nosso país”, conclui o posicionamento da presidência.
A ação de Milei acontece em meio a tensão da Casa Rosada com o Palácio do Planalto. No último sábado (25), o líder argentino direcionou ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chamando-o de “presidiário” e o responsabilizando por uma “tragédia econômica”. Além disso, Milei ainda chamou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de “lixo careca”.
A ofensiva abriu uma crise diplomática entre os países. Logo após o incidente, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador do Brasil na Argentina e o enviado argentino a Brasília.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu com o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, na quarta-feira (29). Na ocasião, o chanceler decidiu seguir monitorando as relações bilaterais e manter o diplomata no Brasil, segundo apurou a CNN.
O retorno do diplomata ao Brasil dependerá do arrefecimento das tensões entre os países, segundo relatos. Auxiliares de Lula descartam, sob reserva, uma volta imediata e falam que o embaixador deve ficar no Brasil por “semanas”. Na mesma data, Lula se referiu ao argentino como “aquela coisa”. Além disso, disse que o chefe do Executivo do país vizinho cometeu uma “patacoada” ao discursar na convenção do PL.
A CNN apurou que Lula determinou que o governo brasileiro “baixe a poeira” sobre o embate ideológico com o argentino. Isso não impediu que a troca de farpas continuasse nos dias seguintes. O presidente da Argentina continuou com ataques contra o brasileiro pelas redes sociais, republicando postagens críticas e ofensivas ao petista.